Enquanto eu estava sonhando, minha avó trazia à tona um certo relógio de pulso, relógio esse que, de fato, tive na infância, me foi muito querido e perdeu-se no tempo.
Mas eu o tinha, em algum lugar, esquecido, e ela o estava precisando.
Nos pusemos, eu e minha mãe, a procurar. Foram vários cantos e lugares na casa que eu conhecia, sem nunca ter visto.
Nada.
Olhei novamente numa prateleira alta e levemente empoeirada – pois sou de passar coisas despercebidas quando as busco – e vislumbrei o que parecia ser uma correia branca. Ao abraçar com a mão o que não via completamente, senti o alívio.
“Achei.” disse, sorrindo.
Ao abrir a mão, no entanto, se deu uma confusão. Tratava-se, sim, de uma correia branca, porém inteiriça, com um pequeno buraco redondo no centro, como uma capa, vazia. Imaginei rapidamente um certo reloginho dourado e redondo sem correia a ser colocado ali.
Não exitei: “Esse aqui é para a senhora.”, disse, repassando a pulseira branca para minha mãe.
***
Não sei se achamos o tal relógio de pulso, no fim das contas. Na verdade não importa.
O fato é que sonhos possuem o poder mais intangível de metáfora.
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